segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Do que fui

Eu sempre fui luz, tentando acender um ponto num buraco negro.
Foi como encontrar um animal selvagem, e me deixar levar pela ingenuidade de achar que eu podia carregar (e cuidar) algo que nunca tivesse a capacidade de me devorar.
Me joguei de olhos fechados, e eu cai.
Cai como se fosse levada por uma enchente, lavada, enxugada, exaurida, subtraída. Eu morri.
Cai como se desse um passo em falso, encontrando a depressão, o vazio, a cova, onde o meu corpo nunca mais deixou de ruir, e eu continuo sentindo o vento do despencar ferindo o rosto, todos os dias, desconfigurando e desbotando o que um dia eu fui, o que eu deixei de ser.
O que se escondeu, com medo de um novo ataque.
O que desapareceu, no escuro.
 
       

segunda-feira, 8 de março de 2010

pêlo-pelo-pele arrepio

Tantos espaços para escrever, descrever palavras que te façam dar vida a
todo aquele esquema do seu rosto até surgir aquele sorriso... aquele...
Ah, amor, eu te amo daquele jeito
Ouvindo teus passos
Sentindo as tuas mãos nas pontas dos meus dedos
Respirando teu cheiro (o que o vento trás)
... aqui, sozinha.
Essas paredes me entendem também tão bem... de frias são quentes.
Aqui é dentro de mim, como é dentro de mim, frebril
Meu chão sabe o peso do meu sorriso, o quanto sou leve
...que leve... leve para bem longe e leva... a leva de tudo que lava minha alma.
Seria você, então, um arquétipo de tudo que sinto e me faz feliz
Tudo isso te reflete e são reflexos
A luz do que disse, fico a me perguntar como o novo logo é velho e logo se renova?... nove... neve... nave... nu...nuvem
Aqueles antigos passos que tem o mesmo som
Seu toque o mesmo calor
Sua pele o mesmo tom... pêlo pelo mesmo arrepio e palavras
No sorriso o mesmo amor
...
Damos fundo ao plano...
e plena planta plana num rascunho que é o que é... medidas que são o que são.
Esboço, segundo muda... segundo o tempo e segundo o plano.
Muda a muda de lugar, pode mudar... mas a muda não muda. Muda menina, muda idade de podar. po-de-dar mas o que importa sempre fica.
Escorremos cores...

...É tudo assim, inanimado até o momento de tocar

Damos idade ao tempo, esse que nunca tem, nunca teve tempo de ter tempo
Sempre o mesmo, porque para nós as marcas não fazem o passado
E nem o tempo faz tempo.

...tempo ou é chuva ou é sol, as vezes nuvem.

E nos encontramos no fim dessas reticências... ...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Você sabe.


Repito: Ela é linda. Você sabe. Se me conhece sabe, você sabe.

Por instantes duvido se o coração é anatomicamente ao lado esquerdo do meu peito. Ora sinto compassos na garganta, que dificulta que passe o que a glándula (seca por nãoseioquê) espremeu-se para criar como um último suspiro, que prende a língua e tira a vida dos lábios. Ora pulsa em cada ponta dos meus dedos, fazendo com que eu sinta que tenha vários coraçõezinhos em cada uma dessas extremidades, a palma da mão sua ao tentar um equilíbrio térmico para o calor e a rapidez de tantos corações, sua frio, sua mão, sua palma e seus dedos e corações. Ora não tenho, o coração, mas sim um enorme vazio no estômago entre cazulos se transformando e borboletas inquietas de várias cores que viram orgão fazendo assim correr a cada centímetro do meu corpo glóbulos brancos vermelhos amarelos verdes azuis liláses violetas rosas margaridas lírios girasois orquídeas acácias tulipas alecrins, plaquetas e uns minerais, e quem sabe pedrinhas de gelo (porque não consigo explicar esse frio).

Você sabe?

Ah... essas borboletas inquietas, te conhecem muito bem e dispertam assim que um dos meus sentidos encontra você - por obvio, os demais logo após- . Espertas, chatas, felizes, bobas, que não morrem... nunca.

Assim, como no início, por vezes e várias vezes, não sei dizer onde. Tudo por sua causa, você sabe. Você é linda, você sabe.


... e deve estar linda exatamente agora, nesse instante que te escrevo e cuspo borboletas. Agitadas borboletas, vazios, e vários corações. Você sabe.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Por um tal beco

Nós mereciamos, mereciamos sim, todo aquele metro de tapete vermelho, adimiração dos olhos e o encanto corrente de sorrisos, todos os aplausos do barulho que representa a coisa bela, a saudação, toda essa inveja calada em gestos falsos, sepultada no vazio do querer alheio que é todo meu poder. Poder e não "ter". Mas eu tenho... e como eu tenho.
Mereciamos. Merecemos como poucos merecem.
Mas não, não, não é bem assim.
O tapete de asfalto ou concreto, nesse beco, nem é vermelho, nem macio. Não passamos por ele sozinhas, nem ninguém sabe de nada, meu bem, e os barulhos que eles fazem perturbam a minha cabeça, não são aplausos e nem são nossos os sorrisos. Nem sequer sabem da nossa beleza, e nem há questão em saber.
Por esse beco, nem você anda comigo.
Mas é nosso e é segredo, é o meu segredo. Assim é melhor. É melhor secreto, apesar de nada em mim ser discreto.
É nosso. Estão lá os aplausos tapetes sorrisos correntes barulho de coisa bela... e... e você, você ao meu lado.
Lá está, tudo lá.
Assim passo. Meu amor telepático.
E você fica ai... com sua visão telescópica.


... porque não há mais teso que passe pelo nosso beco, o Amor.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Psicofânia

Hoje, hoje é dia 8, o mais esperado por mim no mês. Antes era o meu aniversário mas perdeu a importância a 8 meses atrás..., na verdade a uns 10, 10 meses.
Eu sei que hoje é dia 8. Eu sei o que é.
As 00:01 eu sabia que hoje é dia 8, não quis te acordar como sempre faço quando ligo (apesar de hoje ser diferente). Escrevo então.
Não sei se está muito frio ou o peso que há sobre meu corpo me impede de escrever, porque está assim... tudo borrado. O preto sujo de branco.
Hoje é dia 8, meu bem, e eu sei que eu não sou o bastante e nem tão especial, sei que o que tenho é pouco pelo que você é, sei que esse vento que eu digo nas minhas letras, aquele que vem e te trás pra mim, é tão pesado que meu equilíbrio se torna um estado de espírito junto com a insustentável levesa que esse mesmo vento trás.
As minhas roupas não me servem mais, amor, mas não foram elas que cresceram, eu encolhi... encolhi junto com a voz e as roupas continuam lá.
E nem adianta tentar, só me vale o teu sorriso, teu sorriso que, comparado comigo, é tão grande e intenso que ocupa todo meu campo de visão, tudo em mim. Posso até caminhar por ele e até sentir o que representa cada espaço na sua boca, cada volta e cada marca. Eu quero abraçar mas é grande de mais.
Me vale isso, isso e mais teus olhos, ahhh... teus olhos, esses que quando eu olho me refletem por inteira, que me dizem mais que a sua voz e sorriem junto com o teu sorriso e desmancham com teu silêncio. Meus olhos e meu sorriso... teus... nossos.
Eu queria te ligar e isso é o que eu menos queria agora, agora eu queria te ver.
Hoje fazem 8 meses. "Hoje fazem 8 dias que eu estou aqui" (pensei isso no dia 06/01/09). Hoje fazem os tão esperados 8 dias do mês. Hoje eu tenho 8 desejos e só um pedido - que já te fiz tantas vezes - que nem sei se mereço, nem se as minhas pernas me sustentam, nem o que basta, o que te basta.
Eu sou uma boba e aqui todo mundo me assusta, vai ver é porque eu sou uma caipira... do interior da civilização. Isso.
Talvez eu não seja a pessoa certa, que te fale coisas certas, que faça coisas certas ou deixe de faze-las. Você não sabe como eu me sinto.
Acontece que... que eu te amo e isso é difícil porque isso é fácil pra qualquer um.
Eu te amo e isso me faz mais feliz do que qualquer outra coisa. Eu te amo e amo ouvir sua voz. Você vai ser o que eu quero, sempre.
Sem egoísmo, eu amo a sua felicidade, seus olhos, seu rosto, seu sorriso, suas mãos, seus ombros caidos, seu jeito de andar. Eu amo a sua existência. Sempre.
Minha psicofânia. Completamente sua.

domingo, 24 de maio de 2009

Veja bem, meu bem.

(...)
E o amigo me perguntou hoje:
- E você sente falta dela? Do cheiro do cabelo dela e de acordar...
E eu:
- Eu sinto, só eu sei... eu sinto, todos os dias e...
Uma pausa, não dava pra falar.
Os olhos continuaram tentando explicar o que eu havia começado, se ele me entendeu eu não sei.
Ficou, calado, me olhando.
Eu não sei pra onde eu olhava, olhava dentro de mim, pros lados...
Ele ficou, calado, me olhando.
Daqui a pouco os olhos dele começaram a me dizer que entendiam assim como os meus tentavam explicar.
E no fim eu disse:
- Não importa, sabe? Esse tempo todo. Eu posso esperar, eu posso não estar com ela daqui a um tempo, posso viver outra vida que eu não esperava, mas um dia a gente se encontra...
(pausa)
Continuei:
- ... um dia a gente se encontra e pode ser que sejamos velhinhas, mas só de pensar nos meus olhos cruzando com os dela... (pausa)... vai ser como se tivessemos 18, de novo.


... porque o amor (o amor que é amor, o meu amor) não envelhece, ou ele tem 12, 11, 10, 9 anos... ou ele espera.

- Sabe?

- Não, não sei.

- Eu sei que não, só a gente sabe.

(Eu só queria olhar, só olhar. Se você pudesse me ver... se você pudesse... apostaria tudo em mim, não mais com os olhos abertos, com os olhos fechados denovo.)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

...

Ai amor, amor, deixa disso...
Dessa preocupação boba, do suor caro, dessas horas contadas.
Amor, deixa!
Deixa eu te dizer o quanto você me faz feliz e que o teu sorriso disperta o meu. Dizer que você é linda, que te ver me dá paz, que eu só reparo na paisagem quando penso em você, que aquela casa bonita daquela rua vai ser parecida com a nossa, que vamos ter vasos de flores na sala, uma orquídea na varanda perto do telescópio. Dizer que vamos ter várias almofadas num canto da sala pra gente deitar e tocar violão e rir e se olhar.
Deixa eu te dizer que achei aquele quadro lindo pra por na sala, aquele tapete.
Amor, a cor das paredes, amor! O detalhe nas bordas do teto, a luminária, aquela luz sépia tocando teu rosto e valorizando teus traços por onde meus olhos fazem caminhos, que perdem o foco quando você se aproxima de mais e fecho pra me concentrar em outros sentidos.
Minha vida, deixa... e deixa o resto.
Deixa eu te falar que eu quero te dar o mundo se ele couber no teu sorriso, quero que as tuas lágrimas saibam o contorno dos teus lábios quando teus olhos (os meus olhos) insinuarem felicidade, só assim. Que o nosso lençol vai ser branco pra deixar mais viva a cor dos teus cabelos, que ele vai ter nosso cheiro, nosso porque seremos uma, porque estaremos juntas e tudo vai ser um.
A nossa casa, a nossa cama.
Deixa eu te dizer que vamos passar as férias no trailer e que se ele quebrar a gente conta as estrelas do céu (começando sempre por você, claro), vou te dar sustos com sapos e você vai ficar me chamando de "idsiota" com aquela cara de tadinha.
Amor, me deixa, deixa eu te mostrar os nomes que eu pensei pro nosso furão, minhas histórias pra contar nos sábados ou domingos culturais que faremos sempre.
Vamos falar de nós, amor. Me deixa.
Eu te amo (vai ser o bilhete que eu vou deixar todo dia, colado no espelho. No espelho pra você ver o quanto é lindo tudo que eu amo, o quanto eu tenho sorte... todo dia).
Sabe como vai ser?
É tão leve, tão claro. Um ar que se respira sem peso, sabe?
É tudo nosso, amor. Meu e seu.
Deixa disso tudo ai, amor... me deixa assim.
Eu te amo, como sempre.
Eu te amo todo meu futuro. Eu te prometo se o teu sorriso encontrar a lágrima. Eu te prometo. Meu universo... me deixa assim, viver o que vai acontecer.